No início dos tempos o Universo foi dividido em dois, tamanha a sua enormidade. Assim foram criados dois reinos, um dado ao Deus Sol e outro à Deusa Lua. Cada um a seu tempo, em seu lugar. Um chamado "dia" e o outro chamado "noite". Eles dividiam também o tempo pois não conseguiam conviver no mesmo lugar ao mesmo tempo pois eram muito diferentes.
O Sol sempre foi vermelho-amarelado, sangue quente, sempre fervendo. É o punho cerrado, a atitude seca, pegada forte, dureza. Já a Lua, ah a Lua, alva, branca, limpa e leve como a carícia da mulher amada, o sorriso de um irmão, o aperto de mão. O Sol é o escapamento aberto, o motor roncando alto a pista simples, estrada sinuosa, já a Lua é o motor redondo, a pista dupla o entardecer nas colinaso vento assoviando no capacete, o pensamento voando longe. É olhar para frente, olhar no retrovisor e ver os irmãos no comboio - irmandade, amizade, segurança. A Lua também é a fogueira noite a dentro a roda de amigos, o violão na ponta dos dedos, as milongas de um viajante grisalho. Diferente do Sol, com seu ranger dos dentes, as pupilas dilatadas, a ira, a fúria, truculência. É embrenhar-se na madrugada em uma trilha lamacenta, debaixo de chuva, para procurar um irmão. Cruzar o estado no meio da noite para rersolver uma "parada". É fritar a cabeça no sol escaldante, cozinhar dentro da jaqueta. Sabe, o Sol é atravessar a cidade na madrugada, o nó na garganta, o integrante na maca, hospital, irmandade. Já a Lua é reencontrar os irmãos de longe, dar as boas vindas aos novos irmãos, é a brincadeira descompromissada, o beijo da patroa. O respeito, a consideração.
E eles viviam assim, cada um no seu lugar. Até que o impossível a conteceu. E foi na mão de quatro tipos estranhos, completamente diferentes do resto da humanidade. Foi entre eles que nasceu a idéia, o desafio: "Vamos casar o Sol com a Lua!" Ninguém acreditava neles, eram chamados de loucos. Mas eles não eram normais! Em seu sangue um Fator a mais, de diferenciação. Um Fator Mutante que os tornava especiais. Que lhes dava força, ousadia, loucura e petulância. E eles lutaram, lutaram e lutaram. Quando todos acharam que desistiriam, eles continuaram lutando.
E o Sol acabou se apaixonando pela Lua, e vice-versa. A união dos dois foi agraciada pelo Vento, que também presenteou os quatro pela sua luta vitoriosa. A eles foi dado o símbolo da grande vitória: o Sol junto da Lua sobreposotos pela Rosa do Ventos. Desde então, os filhos do Sol e da Lua, espalhados pelo mundo estão, aos poucos, se unindo. Em comum todos tem no sangue aquele Fator, o Fator Mutante. E, com suas diferenças, assim como seus pais, formam um conjunto em perfeita harmonia.
Estes seres ainda podem ser vistos nas estradas e são facilmente reconhecidos pois tem o brasão dado pelo vento aos quatro primeiros marcado na alma e refletido nas costas e por sobre o coração.

por Lixo FMMC.

 

Home | História | Galeria | Notícias | Contato    

 
     
 

História